domingo, 21 de agosto de 2011

A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo - trecho/questões objetivas/ gabarito

A Moreninha
Joaquim Manuel de Macedo

    D. Carolina passou uma noite cheia de pena e de cuidados, porém já menos ciumenta e despeitada; a boa avó livrou-a desses tormentos. Na hora do chá, fazendo com habilidade e destreza cair a conversação sobre o estudante amado, dizendo:
     - Aquele interessante moço, Carolina, parece pagar-nos bem a amizade que lhe temos, não entendes assim?...
     - Minha avó...eu não sei.
     - Dize sempre, pensarás acaso de maneira diversa?...
     A menina hesitou um instante e depois respondeu:
     - Se ele pagasse bem, teria vindo domingo.
     - Eis uma injustiça, Carolina. Desde sábado à noite que Augusto está na cama, prostrado por uma enfermidade cruel.
     - Doente?! Exclamou a linda Moreninha, extremamente comovida. Doente?...em perigo?...
     - Graças a Deus, há dois dias ficou livre dele; hoje já pôde chegar à janela, assim me mandou dizer Filipe.
     - Oh! Pobre moço!... se não fosse isso, teria vindo ver-nos!...
     E, pois, todos os antigos sentimentos de ciúme e temor da inconstância do amante se trocaram por ansiosas inquietações a respeito de sua moléstia.
     No dia seguinte, ao amanhecer, a amorosa menina despertou, e buscando o toucador, há uma semana esquecido, dividiu seus cabelos nas duas costumadas belas tranças, que tanto gostava de fazer ondear pelas espáduas, vestiu o estimado vestido branco e correu para o rochedo.
     - Eu me alinhei, pensava ela, porque enfim... hoje é domingo e talvez... como ontem já pôde chegar à janela, talvez consiga com algum esforço vir ver-me.
     E quando o sol começou a refletir seus raios sobre o liso espelho do mar, ela principiou também a cantar sua balada:
    “Eu tenho quinze anos
     E sou morena e linda”.
     Mas, como por encantamento, no instante mesmo em que ela dizia no seu canto:
     “Lá vem sua piroga
     Cortando leve os mares”
Um lindo batelão apareceu ao longe, voando com asa intumescida para a ilha.
     Com força e comoção desusadas bateu o coração de d. Carolina, que calou-se para empregar no batel que vinha atentas vistas, cheias de amor e de esperanças. Ah! Era o batel suspirado.
     Quando o ligeiro barquinho se aproximou suficientemente, a bela Moreninha distinguiu dentro dele Augusto; sentado junto a um respeitável ancião, a quem não pôde conhecer (...).
     (...)
     Augusto, com efeito, saltava nesse momento fora do batel, e depois deu a mão a seu pai para ajudá-lo a desembarcar; d. Carolina, que ainda não mostrava dar fé deles, prosseguiu seu canto até que quando dizia:
     “Quando há de ele correr
     Somente para me ver...”
Sentiu que Augusto corria para ela. Prazer imenso inundava a alma da menina, para que possa ser descrito; como todos prevêem, a balada foi nessa estrofe interrompida e d. Carolina, aceitando o braço do estudante, desceu do rochedo e foi cumprimentar o pai dele.
     Ambos os amantes compreenderam o que queria dizer a palidez de seus semblantes e os vestígios de um padecer de oito dias, guardaram silêncio e não tiveram uma palavra para pronunciar; tiveram só olhares para trocar e suspiros a verter. E para que mais?

01. D. Carolina estava atormentada pelo ciúme e despeito devido
a) as conversas que ela tinha com a avó.
b) ao não comparecimento de Augusto a sua casa.
c) as informações que Filipe deu sobre Augusto.
d) ao bom conceito que a avó tinha de Augusto.

02.A conversa entre d. Carolina e sua avó sobre o estudante amado pela jovem  foi
a) esclarecedora     b) desmotivante      c) entediante           d) animadora

03. O ciúme e o despeito de d.Carolina foi substituído
a) pela esperança e serenidade diante das informações dadas pela avó.
b) pelo alívio e tranqüilidade por causa do recado de Filipe.
c) pelas ansiosas inquietações a respeito da doença de Augusto.
d) pela culpa de ter julgado mal seu amado.

04. A menina voltou a arrumar-se pois
a) queria ir visitar o amado.
b) tinha esperança de ser visitada pelo amado.
c) recuperou-se do ciúme e do despeito.
d) foi aconselhada pela avó a cuidar-se.

05. “Com força e comoção desusadas bateu o coração de d. Carolina...”, o termo em destaque significa
a) enormes          b) constantes               c) incomuns                d) reais

06. O reencontro de d. Carolina e Augusto foi
a) cheio de declarações de amor.
b) cheio de questionamentos.
c) marcado pela indiferença e dúvidas.
d) marcado pela troca de olhares e suspiros.

Gabarito: 01. b 02. a 03. c 04. b 05. c 06. d

6 comentários:

  1. Obrigado pelos exercícios! Acho que também seria muito interessante o desenvolvimento de perguntas sobre o livro como um todo.

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  2. Vou Tirar 10 na prova de Literatura hoje"

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  3. Bom dia ...
    Amei suas avaliações, porém estou precisando de uma interpretação textual do Primo Basilio... será que poderia ajudar-me?
    Obrigada
    marcia.martha45@hotmail.com

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  4. eu preciso do reso vai até a 10 pra mim.
    07) No fragmento: “o amor é um menino doidinho e malcriado que , quando alguém intenta refreá-lo , chora, esperneia, escabuja”, e no outro “... amor é um anzol que ,quando se engole, agadanha-se logo no coração da gente...” temos uma figura de linguagem chamada :
    a) metonímia
    b) personificação
    c) metáfora
    d) antítese

    08) No primeiro capítulo do livro, Augusto fez com Felipe uma aposta. Quem perdesse deveria escrever a história dos acontecimentos em casa de D. Ana. Perdida a aposta, Augusto cumpriu a promessa e escreveu A Moreninha. Vamos escrever como isso aconteceu, numerando os fatos relacionados abaixo de acordo com a ordem em que eles se sucederam no romance.
    ( ) Carolina percebe que ama Augusto.
    ( ) Augusto se dá conta que começa a amar Carolina.
    ( ) Augusto declara seu amor a Carolina.
    ( ) Augusto acha Carolina estouvada, caprichosa e feia.
    ( ) Carolina revela-se a menina a quem Augusto fizera o juramento de amor. Os dois ficam noivos.
    ( ) Perdida a aposta, Augusto escreve o livro.
    ( ) Augusto adoece de amor pela Moreninha, em função do juramento que fizera na infância.

    9) Se você reparou bem há um mistério que envolve as vidas de Augusto e de Carolina. Os dois vivem presos a um fato que foi muito importante para eles. Qual foi esse acontecimento?
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    10) Leia e responda: “[...] porém não posso mais esconder estes sentimentos que eu penso que são segredos e que todo mundo mos lê nos olhos!” Com qual dos provérbios seguintes essa fala de Augusto se relaciona:
    a) Longe dos olhos, longe do coração.
    b) O que os olhos não veem o coração não sente.
    c) Os olhos são a janela da alma.
    d) Em terra de cego quem tem um olho é rei.

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