domingo, 25 de fevereiro de 2018


Sermão da Sexagésima (fragmentos) - Padre Antônio Vieira

II

“Nunca na Igreja de Deus houve tantas pregadores como hoje”. Pois se tanto se semeia a palavra de Deus, como é tão pouco o fruto? Não há um homem que em um sermão entre si e se resolva, não há um moço que se arrependa, não há um velho que se desengane. Que é isto?”

III

“Fazer pouco fruto a palavra de Deus no mundo, pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus”.
“Para uma alma se converter por meio de um sermão, há de haver três concursos: Há de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há de concorrer Deus com a graça, alumiando. Para um homem ver-se a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos;  se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. Que coisa  é a conversão de uma alma, senão  entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, é necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é conhecimento. Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?”

“Primeiramente, por parte de Deus, não falta nem pode faltar. Esta proposição é de fé, definida no Concílio Tridentino, e no nosso Evangelho a temos.” (...)
“Os ouvintes ou são maus ou são bons; se são bons, faz neles fruto a palavra de Deus; se são maus, ainda que não faça neles fruto, faz efeito”. No Evangelho o temos. O trigo que caiu nos espinhos nasceu, mas afogaram-no: Simul exortae spinae suffocaverunt illud. O trigo que caiu
nas pedras nasceu também, mas secou-se: Et natum aruit. O trigo que caiu na terra boa nasceu e frutificou com grande multiplicação: Et natum fecit fructum centuplum.”

”E, se a palavra de Deus até dos espinhos e das pedras triunfa: se a palavra de Deus até nas pedras, até nos espinhos nasce; não triunfar dos alvedrios hoje a palavra de Deus, nem nascer nos corações, não é por culpa, nem indisposição dos ouvintes.”

“Sabeis, cristãos, porque não faz fruto a palavra de Deus? Por culpa dos pregadores. Sabeis pregadores, por que não faz fruto a palavra de Deus? – Por culpa nossa”.

IV
“Mas como em um pregador há tantas qualidades, e em uma pregação tantas leis, e os pregadores podem ser culpados em todas, em qual consistirá está culpa”?
“-No pregador podem considerar cinco circunstâncias: a pessoa, a ciência, a matéria, o estilo e a voz. A pessoa que é, a ciência que tem, a matéria que trata, o estilo que segue, a voz com que fala.”
IX
” As palavras que tomei  por tema o dizem: Semen est  Verbum Dei. Sabeis, cristão a causa por que se faz, hoje tão pouco fruto com tantas pregações? - É porque as palavras dos pregadores são palavras, mas não são as palavras de Deus. Falo do que ordinariamente se ouve. A palavra de Deus (como dizia) é tão poderosa e tão eficaz, que não só na boa terra faz fruto, mas até nas pedras e nos espinhos nasce.(...) Mas, dir-me-eis: Padre, os pregadores de hoje não pregam o evangelho, não pregam das Sagradas Escrituras? Pois como não pregam a palavra de Deus. – Esse é o mal. Pregam palavras de Deus, mas não pregam a palavra de Deus: Qui habet sermonem meum, loquatur sermonem meum very – disse Deus por Jeremias. As palavras de Deus pregadas no sentido em que Deus as disse, são palavras de Deus; mas pregadas no sentido que nós queremos, não são palavras de Deus, antes podem ser palavras do Demônio”.



01. O texto acima trata sobre
a)a religiosidade das pessoas.
b) a arte de pregar.
c) a falta de fé.
d) a necessidade de bons padres.

02. A finalidade do texto é
a) criticar a ineficácia do discurso de alguns pregadores.
b) convencer as pessoas a mudar de religião.
c) criticar a falta de fé das pessoas.
d) conseguir mais padres para a igreja católica.

03. Em “Pois tanto se se semeia a palavra de Deus...” temos:
a) antítese        b) pleonasmo          c) metáfora          d) metonímia

04. Que significado o autor do texto atribui a “pouco o fruto”?

05. Para o orador o que é necessário para que uma alma se converta por meio de um sermão?

06. Como o autor do texto define a conversão de um homem?

07. Segundo o padre quais as três coisas que um homem precisa para conseguir ver-se a si mesmo? Explique o sentido de cada uma delas.

08. Que argumento o autor utiliza para inocentar Deus pelo “pouco fruto obtido” com suas palavras?

09. Para inocentar os ouvintes pelo pouco fruto colhido, o autor recorre a uma passagem bíblica, a Parábola do Semeador. De acordo com o texto, o trigo representa
a) Deus.
b) os homens a serem convertidos.  
c) a palavra de Deus. 
d) os pregadores.

10. Na frase “O trigo que caiu em terra boa”, terra boa significa
a) bons ouvintes.
b) bons pregadores.
c) Deus.
d) a palavra de Deus.

11. No trecho “Pregam palavras de Deus, mas não pregam a palavra de Deus” temos
a) um pleonasmo.            b) um paradoxo.        c) uma hipérbole.          d) um eufemismo.

12. Para o autor, os pregadores são os culpados pela palavra de Deus não darem frutos porque
a) pregam a si mesmos e não a palavra de Deus.
b) não semeiam em boa terra.
c) não conhecem a palavra de Deus.
d) não tentava agradar aos ouvintes.













Gabarito
01. b   02. a 03.c  
04. Pouco o fruto seria a falta de novas conversões ao catolicismo em sua época.
05. Para que uma alma se converta através de um sermão é necessária à participação do pregador, do ouvinte e de Deus.
06. Define como o ato de um homem entrar em si e ver-se a si mesmo.
07. Olhos , espelhos e luz. Olhos representa o conhecimento, o espelho é a doutrina e a luz é a graça.
08.Ele afirma que da parte de Deus, não falta, nem pode faltar, isto é Deus não erra.
09. c     10.a        11.b     12.a


Aos afetos e lágrimas derramadas na ausência da dama a quem queria bem.                                             Gregório de Matos

Ardor em firme coração nascido!
Pranto por belos olhos derramado!
Incêndio em mares de água disfarçado!
Rio de neve em fogo convertido!

Tu, que um peito abrasas escondido,
Tu, que em um rosto corres desatado,
Quando fogo em cristais aprisionado,
Quando cristal em chamas derretido.

Se és fogo, como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai! Que andou Amor em ti prudente.

Pois para temperar a tirania,
Como quis, que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu, parecesse a chama fria.

01. Para o eu lírico o “Ardor em firme coração nascido”, é
a) o pensamento.               b) o amor.            c) a saudade.                     d) a angústia.

02. Em “Pranto por belos olhos derramado”, as lágrimas são
a) do eu lírico.
b) da amada do eu lírico.
c) daqueles que sofrem por amor.
d) dos que choram de saudade.

03. No verso “Incêndio em mares de água disfarçado”, a expressão sublinhada é
a) um pleonasmo.          b) uma metonímia .        c) uma personificação.         d) um eufemismo.

04. A quem se dirige o eu lírico na segunda estrofe?
a) A mulher amada.
b) Ao leitor do poema.
c) Ao sofrimento.
d) Ao amor.

05. O tom do eu lírico nas duas primeiras estrofes é de
a) conformação.              b) lamentação.              c) indiferença.            d) arrogância.

06. Pela leitura do poema, é falso afirmar que:
a) Nas duas últimas estrofes, o eu lírico se questiona sobre a natureza contraditória do amor.
b) O eu lírico compara o pranto a um rio de neve convertido em fogo.
c)  Neve ardente e chama fria são exemplos de paradoxos encontrados no poema.
d) O eu lírico não se angustia com a inconstância do amor.

07. O texto acima se enquadra em que vertente poética do autor?
a) Poesia lírica.      b) Poesia sacra.       c) Poesia satírica.         d) Poesia pornográfica.







01. b     02.b    03.a    04.d     05.b     06.d     07.a   


À mesma D. Ângela – Gregório de Matos

Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e anjo florente,
Em quem, senão em vós se uniformara?

Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus, o não idolatrara?

Se como anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólico azares.

Mas vejo, que tão bela e tão galharda,
Posto que os anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda

01. A alternativa incorreta em relação ao poema é:
a) A amada do eu lírico tem tanto as qualidades de um anjo como de uma flor.
b) Para o eu lírico, as qualidades da amada despertariam o interesse de qualquer homem que a conhecesse.
c) A mulher amada representa para o eu lírico a sua salvação.
d) O poeta utiliza jogos de palavras com anjo, Angélica e flor.

02. No verso “Isso é ser flor, e Anjo juntamente”,  flor é metáfora de
a) natureza.               b) beleza.                 c) pureza.             d) gentileza.

03. Em “Quem vira tal flor, que a não cortara”, no contexto do poema, cortar a flor significa:
a) Causar sofrimento a amada.
b) Deixar de amá-la.
c) Retê-la para si.
d) Por fim ao relacionamento.

04. O termo “Angélica” pode ser, exceto
a) um adjetivo (pura como um anjo).
b) um substantivo próprio (nome de mulher)
c) um substantivo comum (nome de uma flor).
d) um adjetivo (luminosa como um anjo).

05. No verso “sois Anjo, que me tenta, e não me guarda”, temos:
a) Um paradoxo.            b) uma metáfora.           c) uma metonímia.             d) um eufemismo.

06. Na última estrofe, o eu lírico afirma que a mulher amada não pode ser um anjo pois,
a) ela é muito bela e galharda.
b) ela tem muitos pecados.
c) ela o conduz ao pecado.
d) ela não sabe aliviá-lo de seus pesares e protegê-lo.

07. O poeta deixa claro em seus últimos versos, a contradição existente entre
a) o amor e o querer
b) ser anjo e ser flor.
c) o perdão e a ofensa.
d) a salvação e a perdição.

 08. O texto acima se enquadra em que vertente poética do autor?
a) Poesia lírica.      b) Poesia sacra.       c) Poesia satírica.         d) Poesia pornográfica








01. c     02.b    03.c    04.d     05.a     06.c     07.a    08.a   

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Buscando a Cristo – Gregório de Matos

A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por  não deixar-me,
A vós, sangue e lágrimas abertos,
A vós, cabeça baixa, para chamar-me

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.


01. De acordo com a leitura do poema, o eu lírico
a) reclama da situação em que vive.
b) tem consciência dos seus pecados.
c) não mostra arrependimento por seus erros.
d) não é um homem de muita fé.

02. A voz que interpela Cristo no primeiro verso é de alguém que
a) implora perdão por seus erros.
b) pede para confiarem nele.
c) corre em busca de seus objetivos na vida.
d) precisa de uma palavra amiga.

03. No verso “A vós, divinos olhos, eclipsados”, a palavra destacada significa
a) fechados.            b) escuros.           c) encobertos.             d) abertos.

04. Nos versos do poema, o todo (Cristo crucificado) foi substituído em suas ações por partes de seu corpo (braços, pernas, olhos, pés). Como é denominado esse recurso estilístico?
a) Metáfora.              b) Sinestesia.                c) Metonímia.              d) Antítese.

05. O significado de cravados em “E, por não castigar-me, estais cravados” é
a) presos.             b) enterrados.                c) tempo certo.              d) fixar os olhos em alguém.

06. A voz poética revela nos últimos versos do soneto o desejo de
a) está sempre junto de Cristo.
b) tornar-se um religioso.
c) não ser condenado.
d) conseguir manter-se firme em suas decisões.

07. Nos versos dos dois tercetos o autor faz uso de uma figura de linguagem que consiste na repetição de uma palavra ou expressão no início de dois ou mais versos. A referida figura de linguagem é denominada
a) aliteração.           b) assonância.            c) anacoluto.                  d) anáfora.

08. A zeugma é uma figura de linguagem que se caracteriza pela omissão de um ou mais elementos de uma oração, já expressos anteriormente. Temos zeugma em:
a) “Nessa cruz sacrossanta descobertos”.
b) “A vós, pregados pés,  por não deixar-me”.
c) “De tanto sangue e lágrimas abertos”.
d) “A vós, correndo vou, braços sagrados”.                 

09. O texto acima se enquadra em que vertente poética do autor?
a) Poesia lírica.      b) Poesia sacra.       c) Poesia satírica.         d) Poesia pornográfica.

10. Marque a alternativa  em que as palavras não têm semelhança com o sentido apresentado no poema.
a) Verter – Derramar.
b) Ungir – Abençoar
c) Sacrossanto – Sagrado e Santo
d) Cravos – Flor do Craveiro     






     



01. b     02.a    03.c    04.c     05.a     06.a     07.d    08.b    09.b     10.d
A Jesus Cristo Nosso Senhor
 Estando o poeta para morrer
                                                         Gregório de Matos

Meu Deus, que estais pendente  em um madeiro,
Em cuja fé protesto de viver,
Em cuja santa lei hei de morrer,
Amoroso, constante, firme e inteiro:

Nesse transe, por ser o derradeiro,
Pois vejo a minha vida anoitecer,
É, meu Jesus, a hora de se ver
A brandura de um pai, manso, cordeiro.

Mui grande é vosso amor, e o meu delito:
Porém, por ter fim todo o pecar,
Mas não o vosso amor, que é infinito.

Esta razão me obriga a confiar,
Que, por mais que pequei, neste conflito
Espero em vosso amor me salvar.


01. O eu  poético reconhece-se como um homem
a) virtuoso.             b) religioso .            c) pecador.               d) sincero.

02. A expressão “pendente de um madeiro” refere-se
a) a uma cruz.
b) ao Cristo crucificado.
c) a uma peça de madeira.
d) a um quadro da crucificação.

03. Nas duas primeiras estrofes do poema, fica claro que a voz poética busca
a) livrar-se da morte.
b) a salvação de sua alma.
c) curar-se de uma doença.
d) fugir de um inimigo.

04. No verso, “Pois vejo a minha vida anoitecer”, a figura de linguagem empregada pelo autor foi:
a) Eufemismo.              b) Metonímia.             c) Pleonasmo.             d) Paradoxo.

05. Qual das palavras abaixo não pode substituir brandura em “A brandura de um pai, manso cordeiro”?
a) Mansuetude.            b) Serenidade.            c)Suavidade.                d) Bondade.

06. O eu lírico fecha o soneto com a certeza de que será perdoado pois
a) seus pecados não foram tantos.
b) o amor de Deus é maior que seus pecados.
c) ele implorou o perdão de Deus com muita fé.
d) ele se arrependeu dos seus pecados.

07. Fazendo um jogo de contrastes, o eu lírico afirma que ao seu pecar  opõe-se
a) ”a brandura de um pai”.
b) “a santa lei de Deus”.
c) “o cordeiro de Deus”.
d) “o amor infinito de Deus”.

08. O texto acima se enquadra em que vertente poética do autor?
a) Poesia lírica.      b) Poesia sacra.       c) Poesia satírica.         d) Poesia pornográfica.






Gabarito


01.c     02.b   03.b    04.a     05.d     06.b     07.d    08.b

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Descreve o que era realmente naquele tempo a cidade da Bahia de mais enredada por menos confusa – Gregório de Matos

A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um bem frequente olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para levar à praça e ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos pelos pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda a picardia,

Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres,
E eis aqui a cidade da Bahia.

01. De acordo com os versos da primeira estrofe, o seu lírico considera os governantes da Bahia
a) bons administradores.            b) corruptos.            c) incompetentes.             d) capacitados.

02. No verso “Que nos quer governar cabana e vinha”, o sentido dado pelo eu lírico as palavras sublinhadas são respectivamente:
a) Esposa e filhos.             B) Casa e trabalho.            c) Casa e amigos.           d) Amigos e trabalho.

03. Ainda com relação ao verso “Que nos quer governar cabana e vinha”, que figura de linguagem foi empregada pelo autor?
a) Metáfora.              b) Hipérbole.               c) Antítese.              d) Metonímia.

04. A expressão “o mundo inteiro” no quarto verso refere-se
a) ao Brasil colonial.                b) o planeta Terra.            c) a Bahia.         d) o Nordeste açucareiro.

05. Os versos da primeira estrofe apresentam um tom de
a) ironia.                     b) humor.                      c) conformação.                    d) admiração.

06. Nos versos “Não sabem governar sua cozinha” e “E podem governar o mundo inteiro”, encontramos três figuras de linguagem que são:
a) Paradoxo – metáfora – hipérbole.
b) Antítese – metáfora – hipérbato.
c) Metáfora – paradoxo – metonímia.
d) Paradoxo – metonímia – hipérbole.

07. Em “Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha” temos um exemplo de
a) paradoxo.               b) gradação.                c) aliteração.              d) antítese.

08. Nos versos da segunda estrofe, o eu poético destaca
a) o desejo exacerbado de poder e riqueza dos governantes da Bahia.
b) o controle que o poder exercia sobre a vida particular dos moradores da Bahia.
c) a degradação moral da sociedade baiana.
d) a desonestidade das autoridades da Bahia.

09. Que tipo de preconceito o eu lírico deixa transparecer nos versos da penúltima estrofe?
a) Homofobia.          b) Preconceito linguístico        c) Machismo.            d) Racismo.

10. Pela leitura do poema, é falso afirmar que
a) o eu lírico sustenta que só quem furta deixa de ser pobre.
b) o eu lírico se coloca como conhecedor das pessoas e dos costumes da Bahia.
c) o eu lírico enfatiza o desejo exacerbado dos comerciantes locais por poder e riqueza.
d) o eu lírico aprecia a esperteza dos mulatos, no trato com os homens nobres.

11. Todas as alternativas abaixo apresentam  sinônimos de “picardia”, exceto
a) desconsideração.       b) desfeita.             c) velhacaria.          d) preconceito.   

12. O texto acima se enquadra em que vertente poética do autor?
a) Poesia lírica.      b) Poesia sacra.       c) Poesia satírica.         d) Poesia pornográfica.

13. A hipérbole é uma figura de linguagem que se caracteriza pelo exagero. Temos hipérbole em
a) “E podem governar o mundo inteiro”.
b) “A cada canto um grande conselheiro”.
c) “Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha”.
d) “Muitos mulatos desavergonhados”.






Gabarito


01. c     02.b   03.d    04.c     05.a     06.d     07.b    08.b    09.d     10.d   11.d   12.b      13.a
À sua mulher antes de casar – Gregório de Matos

Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o sol, e o dia:

Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata a toda ligeireza,
E imprime em toda flor sua pisada.

Ó, não aguardes que a madura idade
Te converta essa flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

01. No soneto acima, é possível observar temas frequentes na poesia de Gregório de Matos, exceto:
a) O carpe diem                                                   b) A precariedade da vida                                           c) A fugacidade do tempo                                   d) A exaltação da natureza

02. Segundo o eu lírico a beleza e a  formosura são:
a) Imutáveis.                b) Efêmeras.                    c) Inspiradoras.                       d) Infinitas.

03. O poema estabelece uma oposição entre juventude e velhice. Que expressões representam respectivamente essas duas fases da vida, no texto:
a) Rosada Aurora e madura idade.
b) Flor da mocidade e trança voadora.
c) Madura idade e flor da juventude.
d) Rosada Aurora e Adônis.

04. No verso, “E imprime em toda flor sua pisada”. A expressão “sua pisada” significa que
a) o tempo deixa marcas ao passar.
b) a vida é passageira.
c) o tempo não para.
d) a vida é difícil.

05. No primeiro verso do poema, o autor invoca sua esposa Maria, a quem são dedicados os versos. Em outro verso o poeta faz referência a esposa através de uma metáfora expressa por:
a) Beleza.               b) Madura.              c) Flor.            d) Aurora.

06. O autor deixa claro nos últimos versos do poema que
a) a vida é transitória e que é preciso preocupar-se mais com o espírito que com a matéria.
b) é preciso aproveitar a juventude, pois o tempo tudo consome.
c) a vaidade não leva a nada, pois tudo envelhece e morre.
d) não é preciso esperar pela velhice para ser feliz.

07. O texto acima se enquadra em que vertente poética do autor?
a) Poesia lírica.      b) Poesia sacra.       c) Poesia satírica.         d) Poesia pornográfica.

08. Os versos “Em tuas faces a rosada Aurora” e “Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada”, apresentam respectivamente
a) metáfora e metonímia.                             b) comparação e gradação.          
c) metáfora e gradação.                                d) metonímia e aliteração.

09. Temos um paradoxo em:
a) "Que o tempo trata a toda ligeireza".
b) "Enquanto com gentil descortesia".
c) "O ar, que fresco Adônis, te namora".
d) "Goza, goza da flor da mocidade".

10. Um exemplo de personificação pode ser encontrado em:
a) "Discreta e formosíssima Maria".
b) "O ar, que fresco Adônis, te namora".
c) " Não aguardes que a madura idade".
d) "Enquanto com gentil descortesia".




Gabarito
01. d     02.b    03.a    04.a     05.c     06.b     07.a    08.c    09.b     10b